Turismo LGBTQIA+  apresenta grande impacto no setor e movimenta economia mundial

A pesquisa da Organização Mundial do Turismo mostra ainda que 10% do fluxo mundial de viajantes faz parte da comunidade LGBTQIA+ e que  o público LGBTQIA+  representa 15% da receita anual em viagens em todo o mundo

Pesquisa do IBGE de 2022 revela que 12% dos brasileiros se identificam como assexuais, lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneros. Foto: divulgação

O mês de junho, do Orgulho LGBTQIA+, é um período marcado por eventos e marchas voltadas para essa comunidade em diversos locais do mundo, inclusive no Brasil. Para além da relevância cultural dos eventos, existe um grande impacto no turismo e na economia mundial gerado pelas comemorações e atividades que ocorrem no período.

Uma demonstração disso são os resultados da Parada LGBTQIA+ de São Paulo de 2022, que arrecadou 764 milhões de reais, sendo mais de 40% dos participantes não residentes da cidade. Esses dados se fortalecem com o estudo do IBGE do mesmo ano que revela que 12% dos brasileiros se identificam como assexuais, lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneros. Se atentando ao fato de que a comunidade LGBTQIA+ contempla outras categorias além das mencionadas (como os queer, intersexuais, e outros, simbolizado pelo “+” da sigla), essa porcentagem pode chegar a um número ainda maior de brasileiros pertencentes a esse grupo.

Parada LGBTQIA+ de São Paulo de 2022 arrecadou R$764 milhões. Foto: divulgação

Outro ponto relevante divulgado pela Organização Mundial de Turismo referente ao público LGBTQIA+ é o fato de representarem 15% da receita anual em viagens em todo o mundo e que o turismo LGBTQIA+ é 30% mais rentável que o do público heterossexual, segundo Pesquisa da Associação Internacional de Turismo LGBT (IGLTA). Mais ainda, segundo pesquisa da Out Leadership, a única organização no campo LGBT+ que opera globalmente com foco exclusivo em negócios, é que o Brasil lidera o mercado nesse segmento de viagens ao estrangeiro. Segundo a associação, o Brasil é responsável por cerca de 27 bilhões de dólares, um valor que fica atrás apenas dos Estados Unidos.

Sobre as possíveis ações para estimular ainda mais o turismo LGBTQIA+, Rangel Vilas Boas, criador da startup Sonder, que acaba de inaugurar canal próprio no Bureau Mundo, destacou: “Além de garantir maior representatividade nas campanhas de turismo, é necessário criar novas abordagens para campanhas pensadas para o público LGBT. Entender com maior precisão a conexão entre os públicos e destinos e tendências do setor a curto e longo prazo.”

Apesar de todos esses números, que são fortes indicadores de como o mercado de turismo LGBTQIA+ está de fato aquecido, é preciso considerar que em mais de 70 países, as relações homoafetivas podem levar à prisão ou processos criminais. Além disso, existem dezenas de países onde a pessoa pode ser executada por causa de uma orientação sexual que foge ao considerado padrão.

Em 2021, uma pesquisa realizada pela plataforma internacional de reserva de viagens Booking.com, concluiu que mais da metade dos viajantes LGBTQIA+ tiveram experiências negativas em suas viagens. Nesse sentido, Rangel pontuou: “O primeiro ponto, é promover mais espaços de diálogo. Creio que a Sonder neste novo momento no Bureau Mundo pode contribuir nesse sentido. O segundo ponto é entender melhor as dores destes viajantes, tanto em um aspecto social, quanto de consumo. Representatividade e aceitação são pilares de troca. Dentro do Bureau Mundo, especificamente, essa troca deve ocorrer entre quem promove os destinos e quem vende os destinos para a audiência LGBTQIA+, por meio de nossos conteúdos digitais.”

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